terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Dignidade da Pessoa


Para o Papa os homens são mais importantes que os sistemas econômicos



Cidade do Vaticano (RV) - “Não resignar-se ao spread (contração) do bem-estar social, ao mesmo tempo em que se combate o spread da finança”: é esta uma das passagens mais significativas do discurso que o Papa Bento XVI dirigiu ontem ao Corpo Diplomático acreditado junto à Santa Sé. O Papa afirmou, além disto, que a atual crise econômica é derivada de um “aventurar-se sem freios na estrada da economia financeira, antes do que aquela real”. Especialmente sobre este último aspecto a Rádio Vaticano conversou com o economista Flavio Felice, diretor da Área de Pesquisa Internacional “Caritas in Veritate”, da Universidade Lateranense:

"A referência que Bento XVI faz à crise financeira é muito interessante, pois hoje existem estudos bastante confiáveis que individuam exatamente esta “‘financeirização” da economia por causa da crise econômica. O Papa não coloca em contraste, não cria uma oposição entre economia real e economia financeira, mas sim individua na economia financeira um instrumento, um meio necessário, mas que necessariamente deve ser limitado, ou tanto menos, deve ser colocado dentro de uma ordem da economia que veja na finança um instrumento e não um fim em si mesmo”.
O Papa também destaca, na Mensagem para a Jornada Mundial da Paz, a importância do trabalho: trabalho para a dignidade da pessoa....
“Sem dúvida. A tarefa, o objetivo de um instrumento como o da finança, só pode ser o aumento da produtividade. E é somente o aumento da produtividade que consente às atividades econômicas de garantir posteriormente um maior número de postos de trabalho. Os postos de trabalho não nascem do nada, mas de uma ação, de uma atividade produtiva extremamente eficaz: quanto mais é eficaz, maior é a possibilidade de gerar mais emprego, e assim, reiniciar todo o ciclo econômico. Portanto, o objetivo é o trabalho”.
Com uma fórmula eficaz, o Papa, em particular, pede aos líderes da Europa de “não resignar-se ao spread do bem-estar social enquanto se combate aquele da finança”. De qualquer maneira, o Papa nos diz que o primeiro spread é aquele entre pobres e ricos…

Penso que esta afirmação, na realidade, possa ser entendida plenamente se lida com uma chave: uma chave que Bento XVI nos mostra em uma passagem muito interessante, no fim da parte econômica do seu discurso, quando fala da educação. Ele nos diz que sair da crise significa, em primeiro lugar, trabalhar para a justiça, e para isto não bastam apenas bons modelos econômicos. Frequentemente entre os economistas se fala sobre a eficácia dos modelos econômicos, sobre quais seriam os melhores. Mas a realidade é outra: os sistemas econômicos são para o homem. Um sistema econômico funciona somente se as pessoas podem sentir isto, se conseguem percebê-lo como coerente e de acordo com sua dignidade. Só se sai de uma crise colocando no centro a educação, a justiça, a equidade. Tudo isto significa pensar em um modelo: não a um novo modelo econômico, mas a um modelo social, a uma antropologia que torne possível aos modelos econômicos de avaliarem-se, de medirem-se em um modo coerente e não simplesmente baseados em uma lógica matemática, que pode até funcionar do ponto de vista puramente lógico, porém acaba se revelando ineficaz”. (JE)

Um comentário:

  1. Olá, querida passei aqui pra te ver, aliás estou passando em todos os blogs de meus amigos espiritualistas para perguntar, além da visita, se conhece ou ouviu falar sobre a ASSEAMA. É aqui em São Paulo, no bairro que me criei, um Associação Espírita que cuida vamos dizer assim, não sei a palavra certa, de animais. Fui conhecer no sábado, e adorei. Abraços.

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