domingo, 27 de outubro de 2013

Carta entre cunhadas (XXVI)


"Achar força e coragem para vislumbrar a saída é necessidade".
(Franzé Oliveira)

Coelho da Rocha, 4 de Setembro de 1960.
Bondosa cunhada
Felicidades!
Alegro-me, sinceramente, com suas bondosas palavras. Você tem uma alma de ouro, justamente como eu desejava que o Zeca encontrasse, pois ele assim o merece.
Vocês dois serão felizes ao que tudo indica.
Aqui, vamos indo bem, graças a Deus!
As crianças vão indo bem na escola.
Roselia mais adiantada, a menor, numa marcha mais lenta mas a diferença é fácil de se explicar.
É que Roselia, além de sobrinha é afilhada.
E o português de vocês dois melhorou?
Está para lá de bom, não é?
Agradeço o elogio sobre o vestido de noiva que fiz, porém estou muito longe de ter mãos de fada, faço apenas um arranjo.
Mamãe manda dizer que ficou muito satisfeita com sua carta e sente não poder responder de próprio punho. Como você sabe a mão dela é a doente.
Voltemos ao enxoval.
De fato, inspira melhor começar o enxoval depois do noivado. Dá mais uma força, não é assim?
Sinto estar longe e não poder lhe dar uma mãozinha apesar de coser mal e bordar ainda pior o que só serviria para estragar o seu enxoval. Mas de boa vontade, mesmo mal feito, a gente agradece, não é? Na carta anterior, mandei várias perguntas, queria desculpar. Não estava fazendo sindicância apenas estava sem assunto e acabei me intrometendo na sua vida.
Antonieta escrever para uma professora é muito difícil. Desculpe a bagunça.
Às vezes, me esqueço que estou escrevendo para uma catedrática tal é a intimidade que já temos por carta. Gostaria de escrever a sua altura mas estou longe disso. Falar e escrever bonito e certo não é para uma primarista.
Quero porém adiantar-lhe que minhas palavras apesar de erradas são sinceras. Seremos boas amigas, isso é que é importante.
Recomendações aos seus e um abração dessa que lhe deseja saúde e paz.

Maria

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