segunda-feira, 8 de junho de 2020

Mimo à Amiga Leitora







"Boa tarde, Rosélia!
Compartilhar nossos sentimentos, pensamentos, dificuldade é bom, porque as vezes precisamos de um escape... Lindas palavras, passagem da Bíblia reforça nosso olhar e amor ao próximo e a si mesmo...
Estava lendo um comentário seu no post do ... (amigo em comum), e vi que você foi professora de Mobral. Se um dia houver oportunidade e vontade, compartilhe com a gente essa experiência e vivência. Amo história, amo conhecer e ler biografia, saber de experiências antigas...
Percebo que as poucas pessoas que comentam sobre o Mobral, tem vergonha de falar... E lendo um pouco sobre o assunto, tenho curiosidade, porque antigamente os estudos "eu tenho a impressão que era para pessoas de uma classe mais elevada"...
Será que as pessoas mais humildes tinham vergonha de estudar, porque ficavam com vergonha, e ai acabavam não estudando? E depois veio o Mobral, para suprir o analfabetismo?
Tenho muita curiosidade, gosto de ler, conhecer sobre outras épocas... Se for interessante você contar em algum dos seus blog, sinaliza que vou amar ler e conhecer sobre o assunto...
Forte abraço.
Ju.http://www.maesemfronteiras.com.br/

Está Aqui




MOBRAL

O Movimento Brasileiro de Alfabetização foi um órgão do governo brasileiro, instituído pelo decreto nº 62.455, de 22 de Março de 1968, conforme autorizado pela Lei n° 5.379, de 15 de dezembro de 1967 durante o governo de Emílio Garrastazu Médice na Ditadura Militar.

Mobral propunha a alfabetização funcional de jovens e adultos, visando “conduzir a pessoa humana a adquirir técnicas de leitura, escrita e cálculo como meio de integrá-la a sua comunidade, permitindo melhores condições de vida”. O programa foi extinto em 1985 e substituído pelo Projeto Educar.

Professor, embora frequentemente não gozes dos melhores salários, são revolucionários, semeadores de ideias, têm o poder de transformação social maior que os generais e políticos.





Em 1972, fui voluntária do Projeto Mobral.

Tinha apenas 17 aninhos, estava me formando no curso Normal.
Lecionava num barracão, no interior do RJ.
Por que acima falei apenas 17 aninhos?
Se foi com esta mesma idade que entrei para a universidade?
Se também foi com esta idade que tinha dois empregos públicos que tive que esperar completar a maioridade para assumir?
Digo assim, pois jamais imaginei naquela idade tudo que iria viver. Lamento muito não ter sido documentada minha experiência naquele Projeto.
Era por demais inocente, tinha o espírito altruísta e, se via uma forma de  ajudar, eu desejava muito participar.  Por sorte, minha educação repressora materna não me impediu. Era apenas uma 'criança' e meu pai ia me buscar à noite na saída da aula, de carro para me proteger. Eu nada entendia de violência  e não tinha maldade em minha mente e 💙.
O único que posso registrar à amiga foi minha primeira turma onde lecionei no Estado do RJ na alfabetização de adultos, também à noite, cuja foto postei acima, com aluno ao lado. Foi fascinante experiência e as fotos em preto e branco são da primeira formatura de alunos meus, quando tinha já 18 anos e pude assumir meu cargo público.

Foto de 2019
Fui muito feliz por ter cumprido minha vocação.


Ju, não sei se satisfaço sua intenção, mas deixo aqui uma resposta como pude, pois era pouco registro para muita vocação ... Creio que hoje em dia há muito registro e talvez pouca vocação.
Sim, minha vocação eu descobri aos cinco aninhos, uma vez  alfabetizada, disse  ao meu padrinho de Batismo: "eu quero sê pofessoia".
Quanto às perguntas a mim dirigidas, só posso lhe dizer que a educação favorecia às classes sociais mais abastadas e, as meninas eram formadas para se casarem, cuidarem dos filhos e tal, como sabe bem. No interior, só estudava bem a de classe média em diante e a menos favorecida tinha que cuidar dos irmãos mais novos para ajudarem às mães, meninos trabalhavam cedo para ajudarem seus pais na manutenção do lar. Era uma realidade que alimentava o analfabetismo no Brasil.
Por motivos políticos e outros, o MOBRAL teve fim.
A mãe que me criou, por exemplo, teve a quarta série primária e, quando passou no exame de admissão ao ginásio, seu pai lhe proibiu de prosseguir pois tinha irmãos para cuidar. Mulher que estudava, na concepção dele, dava para o que não prestava (palavras textuais dele). 
Há muitos sites como fontes de estudo, caso você queira aprofundar.
Peço desculpas por não direcionar a amiga a nenhum em particular pois estou numa fase de certo zelo com saúde pelo isolamento solidário e tenho que estar o mais leve possível.
Como não gosto de deixar amigas leitoras sem respostas, prontamente fiz um post menos detalhado.
Muito obrigada, querida Ju, por me recordar bons tempos do início da minha juventude. Foi muito bom receber seus comentários, são sempre excelentes e merecedores de toda minha consideração. 



9 comentários:

  1. Que legal,Roselia ! Gosto muito da Ju, sempre bem ponderada em cada comentário ou post. E que bom tu atendeste ao pedido, mostrando a vocação em ti . Ficou ótimo. Ju vai gostar de ler e ver as fotos .Muito lindo! Gostei de lembrar! beijos,às duas, chica

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  2. Bom dia, Rosélia!

    Muito amor, valor e amparo nesta vocação, missão que acrescentou à sua identidade.

    Leituras assim nos fazem celebrar ainda mais da sensibilidade e amizade.

    Um beijo e outro para Ju!!

    Renata e Laura

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  3. Olá Rosélia! Minha querida amiga!
    Que delícia receber o teu carinho, muito obrigada! Estou bem, em confinamento e agradecida por estamos todos bem.
    Em outra oportunidade, retornarei para ler com a atenção que merece a tua postagem, sempre com temas interessantes.
    E você como vai? Família?
    Um beijinho e um ótimo domingo.

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  4. Amei ler esta partilha, me reportou ao meu pai que, cursou o MOBRAL no período da noite. Eu, criança, mas, já sabendo ler, devorava os cadernos que ele recebia. Foram tempos maravilhosos, agora recordando, me bateu uma grande saudade! Hoje, temos a EJA, um pouco mais aprofundada, mas, creio que a versão bem atualizado deo antigo MOBRAL. Você, sempre muito altruísta, de coração bondoso, abraçando, desde cedo, uma missão de amor ao próximo! Uma riqueza essa sua partilha!
    Abraços fraternos!

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  5. Amei ler o início da sua trajetória na educação. Só mesmo uma pessoa altruísta que fez do ensino a sua missão como você é que teve o privilégio de guardar na memória afetiva o registro desses tempos da juventude exercendo com amor a missão de alfabetizar adultos. Maravilhoso registro que amei ler
    Tenha um dia de paz com serenidade, equilíbrio e saúde
    Beijinhos floridos🌹🌹🌹

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  6. Olá Rosélia, Que belo começo, se voluntariar para a atividade tão nobre da alfabetização de adultos. Maravilha!
    Bjs, Sueli

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  7. Amei Roselia.
    Em primeiro lugar espero que esse momento tenha lhe trazido boas lembranças... Sempre temos fases que a gente guardar com carinho.
    Amei as fotos, que emocionante lembrar de frases e momentos da infância, juventude...
    Eram tempos diferentes mesmo, teve épocas que as mulheres não votavam, não estudavam, e aos poucos foram conquistando espaço...
    Muito linda sua vocação, sua doação como professora no Mobral.
    Antigamente era bem isso mesmo, as vezes os irmãos cuidavam uns dos outros, não tinham tempo para estudar... Estava lembrando dos relatos das minhas tias e mãe, que além de precisar cuidar dos irmãos, a escola era longe demais, o caminho as vezes impedia de chegar a tempo, limpo e sem fome, ou seja, cada época tem as próprias dificuldades e motivos...
    Muito bacana seu post, essa lembrança que trouxe a frase de criança e também esse espírito altruísta, que devemos sempre desenvolver...
    Amei demais...
    Gratidão!
    Beijinhos
    Ju

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  8. Boa tarde Amiga Rosélia,
    Um testemunho muito lindo, digno de louvor.
    Rosélia ao longo da sua vida sempre se tem pautado por boas causas. O analfabetismo existia (e existe) em todos os países subdesenvolvidos e a camada social mais pobre era (e é) a que mais sofre na pele essa realdiade.
    Que me lembre aqui em Portugal só depois da Revolução dos Cravos de 25.4.1974 foi criada a Campanha de Alfabetização de Adultos.
    Universidade então, nem pensar. Só mesmo de camadas sociais elevadíssimas.
    JU vai gostar da sua bela partilha.
    Beijinhos fraternos e um fim de semana abençoado.
    Ailime

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  9. Que coisa mais bonita essas lembranças, lembro bem do programa Mobral que beneficiou tantas pessoas especialmente as da zona rural.

    Muito bom .

    Bjss e flores

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