Para o Papa os homens são mais importantes que os sistemas econômicos
"A referência que Bento XVI faz à crise financeira é muito interessante, pois hoje existem estudos bastante confiáveis que individuam exatamente esta “‘financeirização” da economia por causa da crise econômica. O Papa não coloca em contraste, não cria uma oposição entre economia real e economia financeira, mas sim individua na economia financeira um instrumento, um meio necessário, mas que necessariamente deve ser limitado, ou tanto menos, deve ser colocado dentro de uma ordem da economia que veja na finança um instrumento e não um fim em si mesmo”.
O Papa também destaca, na Mensagem para a Jornada Mundial da Paz, a importância do trabalho: trabalho para a dignidade da pessoa....
“Sem dúvida. A tarefa, o objetivo de um instrumento como o da finança, só pode ser o aumento da produtividade. E é somente o aumento da produtividade que consente às atividades econômicas de garantir posteriormente um maior número de postos de trabalho. Os postos de trabalho não nascem do nada, mas de uma ação, de uma atividade produtiva extremamente eficaz: quanto mais é eficaz, maior é a possibilidade de gerar mais emprego, e assim, reiniciar todo o ciclo econômico. Portanto, o objetivo é o trabalho”.
Com uma fórmula eficaz, o Papa, em particular, pede aos líderes da Europa de “não resignar-se ao spread do bem-estar social enquanto se combate aquele da finança”. De qualquer maneira, o Papa nos diz que o primeiro spread é aquele entre pobres e ricos…
“Penso que esta afirmação, na realidade, possa ser entendida plenamente se lida com uma chave: uma chave que Bento XVI nos mostra em uma passagem muito interessante, no fim da parte econômica do seu discurso, quando fala da educação. Ele nos diz que sair da crise significa, em primeiro lugar, trabalhar para a justiça, e para isto não bastam apenas bons modelos econômicos. Frequentemente entre os economistas se fala sobre a eficácia dos modelos econômicos, sobre quais seriam os melhores. Mas a realidade é outra: os sistemas econômicos são para o homem. Um sistema econômico funciona somente se as pessoas podem sentir isto, se conseguem percebê-lo como coerente e de acordo com sua dignidade. Só se sai de uma crise colocando no centro a educação, a justiça, a equidade. Tudo isto significa pensar em um modelo: não a um novo modelo econômico, mas a um modelo social, a uma antropologia que torne possível aos modelos econômicos de avaliarem-se, de medirem-se em um modo coerente e não simplesmente baseados em uma lógica matemática, que pode até funcionar do ponto de vista puramente lógico, porém acaba se revelando ineficaz”. (JE)

