“No segundo capítulo do evangelho de Mateus está escrito: “Tendo Jesus nascido em Belém da Judéia, no tempo, do rei Herodes, eis que vieram Magos do Oriente a Jerusalém, perguntando: ‘Onde está o rei dos judeus recém-nascido? Com efeito vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo’”. (Mateus 2:1-2).”
Ambos eram visíveis do entardecer ao amanhecer e alcançavam a maior intensidade de brilho ao atingir o meridiano, por volta de meia noite. Quando o sol se punha no ocidente, os planetas surgiram no oriente, e quando eles desapareciam no ocidente, surgia a aurora no oriente. No começo do ano esses planetas surgiam com o sol e, no final do ano, desapareciam com ele. Durante todo o ano eles ficavam visíveis, nunca se afastando um do outro mais de três graus. Esse espetáculo na constelação de Peixes só se repetiria daí a 800 anos.
No evangelho de Mateus a estrela é mencionada apenas três vezes. Os magos dizem “… pois vimos sua estrela no oriente…”. No texto grego original encontramos uma referência ao anatole. Os lingüistas descobriram que a palavra anatole, no singular, tinha um significado astrológico muito especial. Designava o nascimento helíaco de uma estrela, isto é, seu surgimento a leste, a um certo ponto do horizonte, um pouco antes do sol. Empregada no plural, a mesma palavra tem conotação geográfica, e indica o Oriente. De fato, os três reis magos seguiram a aparição celestial na direção leste-oeste.
Pode parecer blasfemo questionar uma imagem tão forte do Natal como a estrela de Belém, mas sua possível existência vem sendo objeto de um acalorado debate astronômico por décadas.
Seria possível que algum evento cósmico real pudesse ter direcionado os Três Reis Magos, como relata a tradição cristã, ao local onde Jesus nasceu?
Seta sobre a Terra
Posição do cometa pode fazer com que ele 'aponte' para a Terra como uma seta
A segunda explicação mais comum para a estrela de Belém é a de um cometa muito brilhante.
Apesar de serem certamente espetaculares e etéreos em suas aparições, eles são essencialmente "grandes e sujas bolas de neve" viajando pelo espaço.
"Quando eles chegam próximos do Sol, esse gelo derrete e os ventos solares sopram esse material para o espaço, então você tem a cauda de matéria saindo do cometa", explica O'Brien.
Essa cauda, que aponta para o lado oposto do Sol, é uma das coisas que tornou a ideia de um cometa como a estrela de Belém popular, explica Hughes.
"Muitas pessoas já disseram que os cometas parecem observar a Terra de cima, porque parecem às vezes como uma seta", diz Hughes.
O registro mais antigo de uma aparição foi a de um cometa brilhante que apareceu na constelação de Capricórnio no ano 5 a.C., registrada por astrônomos na China.
Outro candidato menos provável, mas mais famoso, é o cometa Halley, que esteve visível por volta do ano 12 a.C.
Aqueles que apostam nessa teoria argumentam que o cometa de 5 a.C estaria no hemisfério sul do céu visto de Jerusalém, com a cabeça do cometa próximo ao horizonte e a cauda apontando verticalmente para cima.
"Muitas pessoas gostaram da ideia do cometa, então ele aparece bastante nos cartões de Natal", observa Hughes.