segunda-feira, 5 de março de 2018

Uma Saudade (IV)


























Saudades

Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida.
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,
quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,
eu sinto saudades...

Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,
de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...

Sinto saudades da minha infância,
do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro,
do penúltimo e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser...

Sinto saudades do presente,
que não aproveitei de todo,
lembrando do passado
e apostando no futuro...

Sinto saudades do futuro,
que se idealizado,
provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...

Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei!
De quem disse que viria
e nem apareceu;
de quem apareceu correndo,
sem me conhecer direito,
de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.

Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito!

Daqueles que não tiveram
como me dizer adeus;
de gente que passou na calçada contrária da minha vida
e que só enxerguei de vislumbre!

Sinto saudades de coisas que tive
e de outras que não tive
mas quis muito ter!

Sinto saudades de coisas
que nem sei se existiram.

Sinto saudades de coisas sérias,
de coisas hilariantes,
de casos, de experiências...

Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia
e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer!

Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar!

Sinto saudades dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,

Sinto saudades das coisas que vivi
e das que deixei passar,
sem curtir na totalidade.

Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que...
não sei onde...
para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi...

Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades
Em japonês, em russo,
em italiano, em inglês...
mas que minha saudade,
por eu ter nascido no Brasil,
só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota.

Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria,
espontaneamente quando
estamos desesperados...
para contar dinheiro... fazer amor...
declarar sentimentos fortes...
seja lá em que lugar do mundo estejamos.

Eu acredito que um simples
"I miss you"
ou seja lá
como possamos traduzir saudade em outra língua,
nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha.

Talvez não exprima corretamente
a imensa falta
que sentimos de coisas
ou pessoas queridas.

E é por isso que eu tenho mais saudades...
Porque encontrei uma palavra
para usar todas as vezes
em que sinto este aperto no peito,
meio nostálgico, meio gostoso,
mas que funciona melhor
do que um sinal vital
quando se quer falar de vida
e de sentimentos.

Ela é a prova inequívoca
de que somos sensíveis!
De que amamos muito
o que tivemos
e lamentamos as coisas boas
que perdemos ao longo da nossa existência...

Uma Saudade (III)






















Quando morava lá, tive bons momentos...
É cidade bonita de se viver e de se morar...


O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê!
(Florbela Espanca)






Uma Saudade (II)














Como se diz: ter uma visão do alto sempre cai melhor...
Lá, subia um pouco e me deparava com uma nova Araruama. Mais linda ainda!










Araruama – RJ

Sábado e Domingo de manhã bem cedinho
Lá ia eu calçadão afora!
Com um caminhar suave e discreto
Botava tudo de dentro para fora...
Extravasava,
Rejuvenescia...


Também com um cenário assim
Nem preciso falar tanto...
Parece resplandecer tudo de dentro de mim.
Com ternura e encantamento!
Caminhava e cantava...
O fim de semana ficava distinto.


Ficava com o coração extasiado
Com a beleza da garças...
Ia caminhando e encontrando
Uma a uma que ia chegando
Trazendo-me leveza à alma.



De repente o bando se formava
Num deslumbramento sem igual...
Via a beleza da vida
Num cenário descomunal...
Que espetáculo de presente!

Onde tinha peixe
Garças se aproximam,
Chegando de mansinho
A procura do seu feixe,
Ficavam calmas e discretas
Para alimentarem os seus frágeis corpinhos.

Uma manhã assim
Posso dizer que começo mal?
Nunca! Jamais!
Era um espetáculo visual
De extrema beleza!

E você, como começa o seu dia?
Desejo-lhe que muito bem
Assim como o meu.
Conte para mim como ele é...

Por sinal, todos meus dias são de caminhada matinal e belezas imensas e, muito amor no coração.
pode ser difernte?



Leia também...

Related Posts with Thumbnails