terça-feira, 8 de maio de 2018

Poda Cruel no Coração




1 Imagem, 140 Caracteres # 241



Hoje o dia amanheceu em festa no céu e em  meu coração pois o senhor se preocupa se recebo amor cá na Terra!

I

Seu nascimento foi ímpar,
Nasceu rodeado de mais dois,
Naqueles idos tempos, não era rarear.
A emoção não se guardava para depois:
Ser trigêmeo era  uma sensação,
Emocionava todo e qualquer coração,
Minha avó firme aguentou, 
Foi podada na decisão.
Esperou mais, os criou.


Um fato inédito para o século passado... trigêmeos era raridade... e eles foram os trigêmeos mais velhos do Brasil há 9 anos ( meu pai,.o  último a partir)... Quando nasceram cabiam numa caixinha de sapato, cada um...


II

Poda dolorida, dilacerante,
Quase uma morte causticante.
Corte cruel fez em mim a vida...
Foi-se embora em meus bracos, tolhida!
Eu quase não acreditei, tombei rendida...
Tive também  doloroso fim,
Naquele dia, esmagada,
Fui muito, na minha alegria, podada
Foi cortado um pedaço de mim.

Meu pai Amado faria 94 anos hoje...
Foi-se aos 85...
Era alegria grande o mês de maio para mim...
Filha e pai aniversariantes...
Mês de Maria...
Para o senhor, uma bacalhoada neste dia se fazia...
Tudo que o Senhor gostava, eu gosto...
Gosto de declamar poesias...
Emociono até, mas não como o senhor, meu pai... jamais!

Posto abaixo a que o senhor mais gostava e lacrimejava... emocionava...
Mas sei que está bem agora,  Pai... Tenho certeza, toda tristeza se foi... digo em relação ao que o senhor não podia mudar, pois a alegria e seu humor nordestino nunca se extinguiram...


Ontem fotografei estes dois  cães... pousaram para mim... imóveis...
Saudade de ti...
Seria festa hoje, pois a festa era o senhor!
Enquanto o senhor viveu, éramos eu e o senhor metidos numa jaula... podados...
Mas os laços do nosso amor que ninguém podia matar nos deixavam livres para voar pela força da imaginação...


Eu tive um cão. Chamava-se Veludo:
     Magro, asqueroso, revoltante, imundo,
     Para dizer numa palavra tudo
     Foi o mais feio cão que houve no mundo

     Recebi-o das mãos dum camarada.
     Na hora da partida, o cão gemendo
     Não me queria acompanhar por nada:
     Enfim - mau grado seu - o vim trazendo.

     O meu amigo cabisbaixo, mudo,
     Olhava-o ... o sol nas ondas se abismava....
     «Adeus!» - me disse,- e ao afagar Veludo
     Nos olhos seus o pranto borbulhava.

     «Trata-o bem. Verás como rasteiro
     Te indicarás os mais sutis perigos;
     Adeus! E que este amigo verdadeiro
     Te console no mundo ermo de amigos.»

     Veludo a custo habituou-se à vida
     Que o destino de novo lhe escolhera;
     Sua rugosa pálpebra sentida
     Chorava o antigo dono que perdera.

     Nas longas noites de luar brilhante,
     Febril, convulso, trêmulo, agitado
     A sua cauda - caminhava errante
     A luz da lua - tristemente uivando

Talvez tenham razão estes senhores.
     Toussenel: Figuier e a lista imensa
     Dos modernos zoológicos doutores
     Dizem que o cão é um animal que pensa:
     Talvez tenham razão estes senhores.

     Lembro-me ainda. Trouxe-me o correio,
     Cinco meses depois, do meu amigo
     Um envelope fartamente cheio:
     Era uma carta. Carta! era um artigo

     Contendo a narração miúda e exata
     Da travessia. Dava-me importantes
     Notícias do Brasil e de La Plata,
     Falava em rios, árvores gigantes:

     Gabava o steamer que o levou; dizia
     Que ia tentar inúmeras empresas:
     Contava-me também que a bordo havia
     Mulheres joviais - todas francesas.

     Assombrava-me muito da ligeira
     Moralidade que encontrou a bordo:
     Citava o caso d’uma passageira...
     Mil coisas mais de que me não recordo.

     Finalmente, por baixo disso tudo
     Em nota breve do melhor cursivo
     Recomendava o pobre do Veludo
     Pedindo a Deus que o conservasse vivo.

     Enquanto eu lia, o cão tranquilo e atento
     Me contemplava, e - creia que é verdade,
     Vi, comovido, vi nesse momento
     Seus olhos gotejarem de saudade.

     Depois lambeu-me as mãos humildemente,
     Estendeu-se a meus pés silencioso
     Movendo a cauda, - e adormeceu contente
     Farto d’um puro e satisfeito gozo.

     Passou-se o tempo. Finalmente um dia
     Vi-me livre d’aquele companheiro;
     Para nada Veludo me servia,
     Dei-o à mulher d’um velho carvoeiro.

     E respirei! «Graças a Deus! Já posso»
     Dizia eu «viver neste bom mundo
     Sem ter que dar diariamente um osso
     A um bicho vil, a um feio cão imundo».

     Gosto dos animais, porém prefiro
     A essa raça baixa e aduladora
     Um alazão inglês, de sela ou tiro,
     Ou uma gata branca sismadora.

     Mal respirei, porém! Quando dormia
     E a negra noite amortalhava tudo
     Senti que à minha porta alguém batia:
     Fui ver quem era. Abri. Era Veludo.

     Saltou-me às mãos, lambeu-me os pés ganindo,
     Farejou toda a a casa satisfeito;
     E - de cansado - foi rolar dormindo
     Como uma pedra, junto do meu leito.

     Praguejei furioso. Era execrável
     Suportar esse hóspede importuno
     Que me seguia como o miserável
     Ladrão, ou como um pérfido gatuno.

     E resolvi-me enfim. Certo, é custoso
     Dizê-lo em alta voz e confessá-lo
     Para livrar-me desse cão leproso
     Havia um meio só: era matá-lo

     Zunia a asa fúnebre dos ventos;
     Ao longe o mar na solidão gemendo
     Arrebentava em uivos e lamentos...
     De instante em instante ia o tufão crescendo.

     Chamei Veludo; ele seguia-me. Entanto
     A fremente borrasca me arrancava
     Dos frios ombros o revolto manto
     E a chuva meus cabelos fustigava.

     Despertei um barqueiro. Contra o vento,
     Contra as ondas coléricas vogamos;
     Dava-me força o torvo pensamento:
     Peguei num remo - e com furor remamos

     Veludo à proa olhava-me choroso
     Como o cordeiro no final momento,
     Embora! Era fatal! Era forçoso
     Livrar-me enfim desse animal nojento.

     No largo mar ergui-o nos meus braços
     E arremessei-o às ondas de repente...
     Ele moveu gemendo os membros lassos
     Lutando contra a morte. Era pungente.

     Voltei à terra - entrei em casa. O vento
     Zunia sempre na amplidão profundo.
     E pareceu-me ouvir o atroz lamento
     De Veludo nas ondas moribundo

     Mas ao despir dos ombros meus o manto
     Notei - oh grande dor! - haver perdido
     Uma relíquia que eu prezava tanto!
     Era um cordão de prata: - eu tinha-o unido

     Contra o meu coração constantemente
     E o conservava no maior recato
     Pois minha mãe me dera essa corrente
     E, suspenso à corrente, o seu retrato.

     Certo caíra além no mar profundo,
     No eterno abismo que devora tudo
     E foi o cão, foi esse cão imundo
     A causa do meu mal! Ah, se Veludo


     Duas vidas tivera - duas vidas
     Eu arrancara àquela besta morta
     E àquelas vis entranhas corrompidas.
     Nisto senti uivar à minha porta.

     Corri, - abri... Era Veludo! Arfava:
     Estendeu-se a meus pés, - e docemente
     Deixou cair da boca que espumava
     A medalha suspensa da corrente.

     Fora  crível, oh Deus? - Ajoelhado
     Junto do cão - estupefato, absorto,
     Palpei-lhe o corpo: estava enregelado;
     Sacudi-o, chamei-o! Estava morto.

(Luís Guimarães)

Eu estive a seu lado no leito do hospital e faleceu em meus braços... lhe agradeci por tudo... não sabia se falava ou chorava... falava em tom alto n]ao porque sabia que ele me ouvia no seu segundo final... e sim porque não me continha... para mim, era só ele e eu...

Nesta manhã, onde amanheci amada no coração, embora nem houvesse ainda me dado conta do dia...
Depois deste refletir todo acima, uma frase sobre um outro tipo de poda com esta imagem da tesoura que nos foi dada a criar algo que nos inspirasse.



III

Numa manhã de inverno frio, me lançou
Deus, de uma barriga sofrida, me podou,
Segurou-me em sua santa Mão.
Vim a este mundo, a esta lida,
Para ser por Ele ser muito querida,
Não posso deixar de ser-Lhe grata,
Sei que sou por eles muito amada.
Tudo unido num coração de pai. Ai!



Um santo em vida, como deve ser!
Ser órfã de pai presente e amoroso dói demais...


(Túnel do tempo...)

Herdei dele o gosto por cachorros... Ele tinha um cavalo também... antes de comprar sua primeira rural azul...

(Rosto da bondade e da paciência)

Obrigada por ter me ensinado o que é o Amor... o senhor amou pelos dois... me amou pelos dois...
Obrigada também porque dois dias após sua partida foi transportado meu primeiro blog para aqui para tentar aliviar meu coração esmagado pela dor da terrível poda... inesquecível!






quinta-feira, 3 de maio de 2018

Além do Sangue/Anos 60


Deus honrou sua filha amada, Zita, fazendo com ela uma história de amor.



Conhecemo-nos há anos, desde que tinha 12 (doze) anos... Uma simpatia, desde então! Eu tinha 15 (quinze) anos e ela já me ensinou a fazer ovos a poche... no molho do tomate, pimentão e cebola... Desde então, gosto muito!
É uma confidente! De todos, sabe bem guardar os segredos do coração... É Dom!


No verão passado, me acompanhou à praia, em algumas segundeiras seguidas...
Um programa de verdade que me fez bem à alma... ver o pôr do sol encantador da Praia dos Castelhanos, aqui no ES onde resido há três meses...


Esta tela fui eu que pintei para ela e seu esposo pois, atrás da sua casa, de uma delas, tinha uma lagoa que secou, hoje em dia. Inspirei-me nela para pintar para eles, estando morando ainda lá no RJ e trouxe, uma certa vez, para presenteá-la na moldura. Está pendurado numa das suas paredes de um dos seus lares (ela tem três lares; casa dela, dos pais do coração e do interior)...


A nossa aniversariante com meu pai amado... de quem todos também gostava... um santo em vida...


Aqui, com uma tia muito amiga  que mora em Itapuã na BA ... foi uma grande amiga minha e de todos... uma mulher à frente do seu tempo...


Seu sorriso me contagiou, sempre sorrio ao seu lado...

(Sua família constituída do matrimônio)

Ela e minha tia amada que aqui morava, são exemplos de vida, sim porque minha tia está viva no céu...
Aliás, aqui nesta postagem, falo de três santos em vida (meu pai, minha tia (falecidos) e Zita)



Sempre me acompanhando e me compreendendo...
Lado a lado como uma irmã deve ser...


Tenta promover o bem-estar de todos que lhe cercam...
Compreende todos tipos de temperamento...
Tem nome de santa... Maria Zita!


Meu padrinho e seu pai do coração...


No quitungo, somos muito felizes...











Zita é como uma flor viçosa...



Nosso Deus é o da simplicidade...



Precisamos de muito pouco para sermos felizes e não imiscuirmos na vida alheia... só alegria e união... genuína fraternidade onde gere o equilíbrio e a veracidade nas relações fraternas...





Um almoço está sendo preparado por ela e posto à mesa, são tantos pratos, é meu aniversário em 2017, ela capricha numa feijoada suculenta... sabe que amo...


"A alegria é tanta que se transforma em lágrimas"...



Rosto de doçura...
Senhor, me faz ser assim quando eu crescer!


Era noite de lua cheia... uma lindeza!
Chegamos ao sítio do primo... no interior, ou roça, como costumo chamar carinhosamente...


Após uma reunião de um par de horas em família, com um tira gosto delicioso na lenha (carne de porco que amo), nos produzimos para prestigiar nossa grande amiga do coração...


Em frente à igrejinha simpática do lugarejo que conheço há mais de 20 anos,
Ia eu mandando fotos para filha bem como para três grandes amigos do meu coração (uma é de Portugal, a Ailime)... 
Por sinal, agradeço aos três amigos que me fizeram ir à festa e viver o "- Divirta-se!" com intensidade... Não sou muito de festa, mas há algumas indispensáveis... 



Minha neta nora (apaixonada pelo neto, rs)


Pais do coração...
Meu padrinho e tia muito amados...


Amigas para sempre... primas unidas pelos laços além do sangue...



Tudo ornamentado em família...
Muito amor no coração...


Anos 60, os hippies estavam em pleno auge do começo da filosofia...


Pastor fez uma momento de louvor muito bonito, emocionou a todos, cuja maioria era católica, mas respeitamos a Igreja a que pertence minha prima que cuida bem de todos: do pequeno ao grande, do rico ao pobre... um exemplo de vida...
Aqui está a representação das 3 famílias a que pertence a nossa anfitriã que está sendo muito bem-vinda à Melhor Idade!
Se bem que sempre ela vive a melhor das idades no coração...


Na pista de dança do rock, do twist e romantismo no ar, harmoniosamente tocados... para  a alegria de todos...

Com direito a lembracinha e tudo...
Afinal,  a vida começa aos e sessenta...


Foi numa festa!

Sentir na pele a tua energia quando peguei de leve a tua mão...

Ah! Que lindo recordar os mais puros sentimentos bem intensos do passado que se repetem sempre pois o amor é sempre amor...




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